Principais Características Da Respiração Do Yoga

por | '26 jan 2017' | Pranayama

Começa a prática de Yoga!

Estava em um estúdio e o professor inicia passando as instruções com uma voz suave:

“Comece respirando de forma consciente e profunda”.

Inicio fazendo uma inspiração longa e soltando o ar devagar, sempre pelas narinas, com um pouco de dificuldade e de forma robotizada.

Ao iniciar os Asanas (posições físicas) ouço várias vezes a mesma instrução, mas a respiração em alguns momentos se torna ofegante pelo esforço.

Depois de algum tempo de aula, vai ficando tudo mais fácil, mesmo em momentos de maior esforço.

O corpo vai se adaptando e começando a seguir o ritmo respiratório.

Aos poucos percebo que não é a respiração que seque o corpo, mas o corpo que vai se movimentando e se ajustando no tempo da respiração.

A partir deste ponto, não apenas o esforço fica menor, mas sinto profundamente regiões do meu corpo que antes é como se não estivessem lá.

Ao final da prática me sinto maior, respirar ficou muito mais fácil e prazeroso. Uma sensação simultânea de descontração, paz e vigor invade meu corpo.

Esse foi um relato de uma das minhas primeiras aulas de Yoga. Talvez você tenha se identificado com ele, pois mesmo agora depois de anos dando aula os alunos me contam sensações semelhantes.

Mas quais são as características da respiração do Yoga para que ela seja feita com o máximo de qualidade e consciência?

Para aqueles que ainda estão começando e se adaptando a pratica eu separei 10 características de um texto escrito por Pedro Kupfer em seu site yoga.pro.br.

Essas qualidades devem ser observadas na respiração durante toda a prática de Yoga, seja ela combinada com outras técnicas como os Asanas ou como uma técnica isolada de Pranayama (respiração). São elas:

1) Profunda. A respiração yogika é ampla, utilizando a totalidade da capacidade pulmonar. Respirar profundamente significa usar a estrutura ósseo-muscular do tronco para otimizar a assimilação do ar. Ao respirar, toda a musculatura do tronco participa do processo, porém, nunca devemos elevar nem movimentar os ombros.

2) Completa. Isso significa que devemos utilizar as três fases da respiração em cada exercício que fazemos: abdominal, intercostal e clavicular. Observe sempre que os pulmões devem encher-se primeiramente na parte baixa, logo na parte média e finalmente na parte alta, esvaziando-se de forma inversa.

3) Consciente. Durante o pranayama procure sempre estar presente no exercício que estiver fazendo, observando a cada instante os efeitos que a técnica está desencadeando dentro de si. Sem consciência não há concentração possível.

4) Ritmada. Tudo é ritmo na Natureza; nós não somos a exceção. A cadência é extremamente importante, pois é o que nos permite projetar o exercício no tempo. Existe uma estreita relação entre o ritmo e os estados profundos da consciência: mantendo um ritmo cadenciado conseguiremos tirar muito mais proveito dos exercícios.

5) Controlada. Precisamos evitar ficar sem fôlego. Caso sinta que está perdendo o domínio por não conseguir acompanhar a contagem dos tempos estabelecidos, opte por reduzir esses tempos, para conseguir manter o ritmo de acordo com a sua capacidade pulmonar individual.

6) Uniforme. Em nenhum momento devemos permitir que o fluxo de ar se interrompa ou que se altere a sua assimilação progressiva. Em outras palavras, devemos encher os pulmões de forma gradual e constante, sem dar arrancadas bruscas no início da inalação ou fazer força excessiva para expulsar o ar.

7) Lenta. A respiração deve ser tão lenta quanto for possível. Considere que durante o pranayama ela deve ser ainda mais lenta que a de uma pessoa que dorme. Trabalhe no sentido de torná-la cada vez mais pausada. Com a prática, você perceberá que poderá alterar não apenas o ritmo pulmonar, mas também o ritmo cardíaco à sua vontade.

8) Silenciosa. Também devemos esforçar-nos por manter o ar fluindo da forma mais silenciosa possível. Para ter uma idéia disto, considere que ninguém além de você deve ouvir a sua respiração durante a prática. Atenção obviamente às exceções: bhastrika, bhramari e ujjayi.

9) Nasal. Os cílios das narinas filtram as impurezas que estão em suspensão no ar. Ao inspirar pela boca, você permite que elas entrem diretamente nos pulmões, o que pode provocar diversos males. Esta é a pior maneira de respirar. Evite-a a qualquer preço. São raros os pranayamas que a utilizam: apenas shitali e sítkari, com o único objetivo de aliviar a sensação de calor, cansaço, fome ou sede.

10) Com a mínima projeção do ar. A compreensão do conceito de comprimento do alento é fundamental para atingir a perfeição na respiração yogika. O comprimento do alento é aquela distância à qual podemos perceber o ar que sai pelas fossas nasais. Coloque a sua mão alguns palmos abaixo das narinas. Se você exalar com força sentirá o sopro chegando nela. Expirando com a mínima projeção do alento o fluxo do ar será imperceptível, mesmo mantendo a mão bem perto do nariz. Quanto menor for essa projeção, maior será o controle do prana. Para sentir mais facilmente o ar na palma da mão, sugerimos umedecê-la.

Com a prática, todas essas características, que podemos chamar também de capacidades, vai se tornando natural também no seu dia a dia.

Na sua prática você está conseguindo respirar com todas elas?

Me conte mais nos comentários.

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About The Author

Fabiano Benassi

Sou professor de Yoga ha mais de 11 anos. Abandonei a carreira de informática para me dedicar totalmente a essa filosofia milenar na prática, estudo e profissão. Ajudo a despertar o potencial latente dentro de cada um, através das várias técnicas do Yoga, pois acredito que a verdadeira felicidade esta em colocar em viver a sua verdadeira vocação!

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